Desde que tomou posse em janeiro
de 2003, uma das primeiras ações adotadas pelo presidente Lula foi criar o
programa Fome Zero, cuja finalidade era levar uma alimentação digna para
milhares de brasileiros que sobreviviam com pelos menos uma refeição diária. O
programa avançou e dele foi originado o programa Bolsa Família, garantindo uma
renda para as famílias com filhos menores de idade e matriculados nas escolas.
Ao longo desse período, ao abolir o modelo anterior de concentração e
transferência da riqueza para um seleto grupo de rentistas, o governo Lula
promoveu uma inflexão no modelo econômico que privilegiasse o crescimento
sustentável com a inclusão social.
O olhar para a inclusão social e
a geração de empregos de 2003 até agora significaram a entrada na sociedade de
consumo de mais de 40 milhões de brasileiros que ascenderam de classe social.
Saíram das classes E e D para a classe C. Essa política de olhar para o mercado
interno, para atender esse contingente de brasileiros que conquistaram uma
renda para adquirir bens para suas residências – inclusive a casa própria –,
fez toda a diferença em 2008 na pior crise financeira mundial 70 anos depois do
crash da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, que praticamente quebrou o
mundo. Lá atrás, brasileiros ricos amanheceram pobres.
Mas isso não se repetiu em 2008.
O Brasil apostou na pujança de seu mercado interno e isso garantiu que o País
fosse um dos últimos a entrar na crise e o primeiro a sair. Ao criar condições
para a economia continuar andando em plena crise financeira global – mais
oferta de crédito, redução de impostos e manutenção dos benefícios sociais, sem
comprometer o rigor fiscal das contas públicas -, o ex-presidente brasileiro
taxou a crise de uma “marolinha” e ele estava certo, embora a oposição dizia
estar certa e por isso recomendava cortes de benefícios fiscais, restrição do
crédito e aumento dos juros para enfrentar a crise.
O remédio brasileiro foi outro,
ou seja, a opção não foi pelo “mercado” mas, sim, pelos brasileiros de carne e
osso que continuaram tendo sucessivas melhoras na renda familiar e mais
oportunidades, principalmente aquelas relacionadas às políticas inclusivas.
Apesar das críticas da oposição, a política de inflexão econômica iniciada por
Lula e mantida pela presidenta Dilma acaba de receber um dos maiores
reconhecimentos da história econômica mundial.
Na manhã desta quarta-feira (12)
ninguém menos do que Alfredo Saad Filho, economista da Conferência das Nações
Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), afirmou que o Brasil é hoje
uma referência mundial para políticas de desenvolvimento econômico. Saad fez
essa declaração durante o lançamento do Relatório de Comércio e Desenvolvimento
2012 que mapeou as tendências econômicas e os problemas financeiros atuais de
praticamente todas as nações do planeta.
A boa performance das nações
emergentes no período de 2006 a 2012 sustentou a demanda doméstica e embora um
país sozinho não pudesse assegurar a evolução econômica global, 74% do
crescimento foi gerado pelos países em desenvolvimento, daí a UNCTAD observar
que a solução apropriada para os países desenvolvidos é seguir esse modelo se
realmente querem sair da crise. A entidade ligada ao Sistema ONU – Organização
das Nações Unidas - recomenda que a receita adotada pelo Brasil de sustentar a
demanda interna é um antídoto à política de contenção do consumo verificado em
países da zona do Euro. Saad destacou que a Zona do Euro tem o pior rendimento
dentre os países desenvolvidos, e as recessões europeia e norte-americana estão
fundamentadas na deterioração da renda. Esses países, disse Saad, preferiram
exportar fatias da produção nacional para economias emergentes e grande parte
dos lucros foram direcionados ao pagamento de dividendos, acarretando em lucros
individuais e, consequentemente, concentração de renda.
“Nos últimos dez anos ou um
pouco mais que isso, o Brasil tem servido de referência para políticas sociais,
e, mais que isso, para políticas macroeconômicas. Não só as fontes de
crescimento, mas as fontes de inspiração de política econômica têm se
diversificado também”, declarou Saad. Sem meias palavras, o economista da
UNCTAD dá a receita aos países desenvolvidos que realmente querem sair da
crise: para retomar o crescimento, os países desenvolvidos devem investir no
mercado doméstico, principal fonte de demanda.
O economista disse que em alguns
países, como a Alemanha, a política de enfrentamento da crise na Zona do Euro
baseada em políticas de austeridade sobre o setor público prejudica o
crescimento no mundo. “Os países em desenvolvimento não descolaram dos demais,
eles precisam dos países desenvolvidos, e a falta de dinamismo nestes países
preocupa a todo o mundo”, avaliou.
Saad classificou a crise atual como
“a causadora de um problema grave acumulativo no sistema financeiro
internacional, que se contrai e não fornece crédito para a produção e o consumo
- e uma crise de falta de demanda, causada pelo aumento da desigualdade e pela
perda cumulativa de salários reais nos últimos 30 anos é o grande problema”.
(Marcello Antunes/PTnoSenado,
com informações da UNCTAD)

Nenhum comentário:
Postar um comentário